Quem quer um "DJ Carochinha"... ? | O Nosso Casamento

Música e Animação

Quem quer um "DJ Carochinha"... ?

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#1 Domingo, 29/01/2012 - 18:33
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JCF
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Quem quer um "DJ Carochinha"... ?

Portugal é um país fantástico, onde vive um povo fantástico.
O português nasce com um gene especial, que o faz estar atento ao que se passa “lá fora”, para copiar e adaptar (geralmente mal) e desenrascar-se a fazer seja o que for que lhe dê dinheiro, se possível sem ter muito trabalho.
Há quem nasça com um talento natural para as artes, para as letras ou para a música.
Gostos não se discutem e a par com virtuosos que passam mais tempo no Conservatório do que em casa, há autodidactas que só de ouvido são capazes de tocar um instrumento.
Não quer dizer que tocam bem, mas tocam para quem os quer ouvir. Uns de borla, outros a pagar.
Toda a gente gosta de ouvir música, mas poucos são os que sabem juntar diferentes estilos e interpretes e transforma-los em algo harmonioso e agradável para os sentidos, que os faça sentir-se felizes e lhes dê uma vontade incontrolável de dançar.
Esse talento para produzir uma obra, muitas vezes magistral, a partir de milhares de músicas, é o resultado de muito empenho, investimento e investigação.
Primeiro nasceu o conceito: o DJ era o “curioso” que coleccionava música e organizava festas na garagem (ou na cave) dos pais, para gáudio dos amigos e colegas de escola.
Depois surgiu a profissão: a divulgação da música gravada era feita nas rádios, mas os grandes êxitos começavam a passar nas discotecas e as editoras discográficas aperceberam-se disso e davam-nos em primeira mão, os discos que ainda não estavam à venda.
Quantas vezes nós cobríamos os rótulos dos discos de vinil, para impossibilitar a descoberta do autor do “hit” que fazia as loucuras da pista, sempre que o púnhamos a tocar!
Depois… bom, depois surgiram os “bedroom dj’s” ou “dj’s de trazer por casa”, que nunca foram extintos e, pelo contrário, evoluíram para uma nova espécie: o “digital dj”.
Continuaram a ser amadores, ainda que mais evoluídos.
Esta nova espécie é recente. Tem, quando muito, meia dúzia de anos.
Só conheço um caso de rendição total às novas tecnologias, protagonizado por um bom amigo meu, excelente DJ e profissional, que há mais de 10 ou 12 anos começou a usar o “BPM Studio”, na sua versão profissional, com o respectivo interface e comando personalizado.
Ainda hoje usa, embora tenha evoluído para o “Virtual DJ” pela facilidade de manuseamento de clipes de vídeo. Mas não deixa de ser um óptimo profissional.
À parte esta brilhante excepção, o “digital dj” tornou-se acessível a qualquer miúdo de 6 anos com um “Magalhães” e uma ligação à internet (para sacar mp3), permitindo que todo o português engenhoso e desenrascado se transformasse de um momento para o outro em DJ de casamentos.
Como esta nova “espécie” de DJ não faz a mais pequena ideia do que é sê-lo, nem dos investimentos contínuos que os verdadeiros profissionais têm de fazer, quer em música legal e original, quer em equipamentos de qualidade, pratica preços altamente convidativos com a promessa de um dia inesquecível.
O que acontece é que geralmente são tão maus, que realmente se tornam inesquecíveis pela negativa.
Mas, como “solo se vive una vez” ou os noivos só se casam uma vez (de cada vez), apesar da má qualidade e péssimo desempenho, ei-los sempre na primeira linha a promover as suas novas “habilidades digitais” e a convencer mais alguns incautos para lhes entregarem a animação de um dia que deverá ser extraordinariamente especial nas suas vidas.
Por isso é que o português se habituou a pagar pouquinho, porque nunca tem a certeza de estar perante um profissional esforçado, ou um “habilidoso digital” desenrascado.
Na dúvida, metem-se todos no mesmo saco e tratam-se como se fossem todos iguais.
Infelizmente, este não é um problema exclusivamente português.
Ou será que os “genes” portugueses têm alguma coisa a ver com isso?
É que no Brasil também sofrem do mesmo mal, ao ponto de lançarem campanhas nas redes sociais contra os “Fake DJ’s”, ou incompetentes auto-proclamados DJ’s.
Mas, lá com o cá, há diferenças.
A grande diferença é que os brasileiros copiaram o modelo de trabalho americano e quando apresentam um orçamento para a animação de um casamento, demarcam-se completamente do panorama português:

- O DJ profissional, não leva equipamento próprio. Entrega aos noivos o “raider” técnico e no dia do casamento aparece na hora do baile só com os phones e a música. Os noivos têm de contratar o aluguer do equipamento de som e de luz a empresas especializadas, que se encarregam da montagem, desmontagem e manutenção do mesmo.
Assim, se alguma coisa “pifar”, a culpa não é do DJ.

- O DJ profissional é contratado por um número de horas fixo, geralmente 4 ou 5 horas. Se a festa se prolongar, debitam horas extra e ninguém discute, nem acha isso estranho. Ninguém trabalha “sem limite de horas”. E ninguém passa o dia a “meter música ambiente”.
Essa responsabilidade compete aos espaços onde realizam o evento, que dispõem sempre de equipamentos para difundir música por todo o espaço, de forma discreta e eficaz.

- O cachet de um DJ profissional anda à volta de $1.500,00 (dólares), nas condições acima mencionadas.

O Brasil, apesar da elevada taxa de crescimento, é um país com uma imensa “classe média-baixa/baixa”.
Por isso é que, lá como cá, proliferam cada vez mais os “Fake DJ’s”, que fazem casamentos baratos e “únicos”.
“Únicos” porque se os mesmos noivos casassem outra vez, de certeza que não os contratavam.
Baratos, porque praticamente não têm investimento a fazer.

Nos EUA há centenas de empresas de animação de casamentos e milhares de DJ’s.
Mas todos seguem o mesmo modelo de trabalho, talvez porque, para serem credíveis, têm de pertencer a alguma associação profissional que impõe regras e padrões de qualidade.

Por cá, um profissional tem de ter equipamento próprio, ou emprestado, pois caso contrário não trabalha em lado nenhum. E, além disso, tem de o transportar, montar, configurar, testar, desmontar e transportar de volta, quando a festa acabar.

Por cá dá-se mais valor a pormenores da decoração, em que quase ninguém repara e de certeza ninguém se lembra passado um ano, ou às “ofertas” dos noivos (que variam desde o doce típico da terra, feito em quantidades industriais, até ao porta-chaves “souvenir”, que vai parar ao fundo da primeira gaveta que encontram quando chegarem a casa), do que ao investimento na animação, que acabará por ditar o êxito (ou o fracasso) da festa.

Há tempos, um amigo dizia-me: em Portugal, os Mobile DJ, ou “DJ’s de Casamentos”, são como os mecânicos de automóveis: cada um acha-se melhor e leva mais barato que o vizinho, para conseguir mais clientes.
E, enquanto vigorar esta “desunião”, o mercado vai sendo infestado pelos “habilidosos digitais”, que cobram preços ridículos e geralmente estragam a festa… e o mercado.

Quem quer um “DJ Carochinha”, que trabalha baratinho e se faz passar por profissional?

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Terça, 31/01/2012 - 03:08
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Desde: 18.02.2007 - 00:21

Extraordinário!
Já passaram 32 horas e não houve nenhuma reacção!
Aonde é que está esse profissionalismo? E o espírito crítico?

Terça, 31/01/2012 - 13:26
Retrato de Estimulus _ Animação de Eventos
Estimulus _ Ani...
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Desde: 02.04.2009 - 20:42

Pura e triste realidade...

Concordo com o tópico. É uma realidade crescente e cabe-nos a nós, profissionais, conviver com ela e alertar os demais.
Mas, acredito plenamente que devemos continuar a trilhar o nosso caminho com base no profissionalismo e seriedade. Só assim podemos continuar no mercado, adaptando-nos às leis do mercado, porque, mais tarde ou mais cedo, o reconhecimento aparece.

Quanto aos "carochinhas", vão existir sempre. Por norma, duram pouco tempo.
Era bom que as noivinhas do fórum quando tivessem a infelicidade de uma situação destas, relatassem os factos para alertar a comunidade.

Despeço-me com os meus melhores cumprimentos e sempre disponível para o aperfeiçoamento constante da nossa actividade.

Miguel Rêgo

Quarta, 01/02/2012 - 22:56
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Desde: 18.02.2007 - 00:21

Mesmo a propósito deste tópico, um dos nossos colaboradores contou-me que há dias foi interpelado no "messenger" por um desconhecido, que se apresentou como "DJ" e pretendia pedir-lhe uns conselhos.
Ora, acontece que o tal "DJ" tinha sido contratado (!!!!) para animar um casamento, mas na realidade não percebia nada daquilo e nem sabia que músicas devia "passar".
Pediu, então, ao nosso colaborador, se lhe podia dar uma lista das músicas que devia usar na animação e nos diferentes momentos do dia.
E, como quem já fez o trabalho de casa, enviou-lhe uma lista que tinha feito, para ele ver se estava correcta a selecção!
Apesar de o nosso colaborador lhe ter dito que cada casamento é único e só ele (o DJ) pode avaliar que tipo de música deve usar em cada momento, em função das reacções que vai captando dos convidados, o outro insistia em querer saber que músicas devia "sacar", pois nem sequer tinha discografia apropriada!
Esta situação não é única.
Tenho conhecimento de coisas parecidas, contadas por outros colegas de profissão.
Mas, esta passou-se connosco e atesta bem o tipo de "habilidosos" que andam a envenenar o mercado.
É lamentável.
Mas, continua a acontecer e quem sai prejudicado é o casal de noivos que se convenceu que com 150 ou 200 euros consegue contratar um DJ profissional!
Mais valia comprarem um rádio a pilhas.
Pelo menos, nas rádios, as emissões são conduzidas por profissionais e quando emitissem publicidade, sempre era uma oportunidade para irem beber qualquer coisa ou descansar os pés.
Não era a mesma coisa que terem um DJ profissional com equipamento adequado e uma discografia suficientemente abrangente para agradar a todos, mas ficava muito mais barato, lá isso ficava.
Cumprimentos,
JCF

Sábado, 04/02/2012 - 17:50
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Desde: 18.02.2007 - 00:21

Estimado colega da Terapia do Som,
Concordo em absoluto com a sua análise e abordagem ao "fenómeno" dos "DJ carochinha", excepto num ponto: Nós, os BONS, os verdadeiros PROFISSIONAIS, apesar de poucos, sabemos preservar-nos e manter a longevidade, porque quando o DJ adquiriu o estatuto de figura de primeira linha, nós já cá andávamos e, apesar de naquele tempo trabalharmos numa autêntica "cabine" com quatro paredes, uma porta e uma pequena janela para vigiar a pista, já "mexíamos" com multidões, dentro e fora das discotecas.
Por isso e por termos aprendido a "sobreviver" quando nem sequer éramos reconhecidos, o nosso trunfo (e triunfo) é impormos-nos pela qualidade e pelo talento que possuímos.
Vejamos, a título comparativo:
O grupo FIAT vende 100.000 "Puntos" por cada UM Ferrari e, no entanto, toda a gente sonha em ter (ou, pelo menos, conduzir) um Ferrari, apesar de haver "Puntos" aos pontapés.
Os tempos são de crise, mas o mercado continua a reagir positivamente e com assinalável crescimento aos produtos de alta qualidade.
Ser-se DJ novato, não é grave, nem preocupante, muito pelo contrário. É preciso que os talentos surjam e evoluam, para manter cada vez mais viva a alma dos verdadeiros profissionais.
Os jovens talentos sabem que o percurso não é fácil e é, geralmente, muito mal remunerado, mas não desistem e encaram como normal o facto de por vezes levarem anos até verem o seu valor reconhecido.
É isso que os distingue dos "habilidosos", ou "carochinhas".
O "habilidoso" é, por via de regra, um excelente vendedor, daqueles que vendem frigoríficos a esquimós. "Adquirem" talentos com a mesma facilidade com que compram um jornal. Um "site" bonitinho (de borla) e muito "patuá" são o suficiente para "abrirem a loja" depois de saírem dos empregos que lhes garantem o sustento. E sabem usar o factor preço, como um farol a atrair mosquitos numa noite de verão.
Os preços que praticam são sempre muito flexiveis e totalmente adaptáveis à carteira do cliente. O que é preciso é "sacar" algum!
O equipamento que usam é mesmo mauzinho (estou a ser simpático!)?
Não faz mal... o cliente não percebe nada e só se impressiona com os "milhares" de watts que as colunas debitam (a 2 ohms de impedância!) e nem acham estranho que a música esteja toda no computador portátil ou numa Pen.
CD's originais ou os recibos da compra dos mp3, nem vê-los.
Alguns até afirmam estar isentos de pagar (e de cobrar) impostos, por estarem registados como associações sem fins lucrativos!
O que lhes falta em talento, sobra-lhes em imaginação.
O que é mesmo grave, é que a maioria dos noivos reserva sempre uma verba ínfima para a animação e, mesmo assim, ainda sonham com música ao vivo na cerimónia, saxofonista nos aperitivos, ilusionista durante o jantar e DJ sem limites de horário para fazer a festa... por 300,00 euros (ou menos!).
É caso para dizer: tirem-me deste filme!
Ninguém compra um leitão, se só tem dinheiro para um frango!
Há que ser realista!
Se não existissem os habilidosos, para quem "euro ganho" é "euro de lucro", a convencer os potenciais clientes de que 200 ou 300 euros bastam para "montar o circo" e que quem cobra mais do que isso anda a roubar, ou quer ganhar num dia o que a maioria do povo não ganha num mês (este é o "argumento" mais recorrente), acabavam-se os "saldos" e os "outlets" da animação e as animações "oferecidas" pelas quintas.
A única forma de extinguir os "habilidosos" e "carochinhas" é através da união dos verdadeiros profissionais, por via de uma associação que tarde em surgir.
Os MOBILE DJ's portugueses precisam de estar unidos, para juntos erradicarem os "habilidosos digitais", vendedores de gelo no pólo norte!
Cordiais Saudações,
JCF

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